Prefeito Silva e Luna enfrenta racha na Câmara e três CPIs em andamento
Bloco de nove vereadores rompe com a base e pressiona o governo com investigações sobre Foztrans, Educação e obras de asfalto.
A gestão do prefeito General Silva e Luna (PL) vive o momento mais instável desde o início do mandato. Trocas no secretariado, críticas à falta de diálogo com a Câmara e o rompimento da base aliada culminaram em três pedidos de CPI protocolados quase ao mesmo tempo.
As comissões pedem investigações sobre o Foztrans, a Secretaria de Educação e as obras de pavimentação. Todas foram apresentadas por vereadores do G9, grupo formado por nove parlamentares que se declararam independentes em outubro, após o rompimento com o governo. A mudança desfez a maioria que o prefeito mantinha na Casa e obriga o Executivo a negociar cada votação.
Entre os pedidos, o que mais repercute é o que investiga o contrato de R$ 25,4 milhões firmado sem licitação entre o Foztrans e a Celepar, estatal paranaense responsável pelo sistema de multas de trânsito. Ocorre que a empresa está em processo de privatização, suspenso temporariamente pelo Tribunal de Contas do Estado. Caso a venda avance, o contrato pode ser considerado ilegal, já que a Celepar perderia sua natureza pública.
Os vereadores também pedem explicações sobre o destino do dinheiro arrecadado com multas, a execução de contratos de sinalização e as condições do terminal urbano. A CPI foi proposta pela vereadora Anice Gazzaoui (PP) e já conta com sete assinaturas de apoio.
Outra frente de apuração é a CPI da Educação, que busca esclarecer o recolhimento dos livros de inglês distribuídos às escolas municipais. A decisão partiu da Secretaria de Educação, mas acabou revertida pela Justiça, que determinou a devolução dos materiais. Os parlamentares suspeitam de interferência política e de irregularidades na compra emergencial de novos kits didáticos.
Também está em pauta a CPI do Asfalto, apresentada por Evandro Ferreira (PSD), que pretende investigar falhas em obras de pavimentação e possíveis prejuízos por serviços de baixa qualidade. O documento cita alertas do Ministério Público e questiona o valor gasto em obras de recapeamento, muitas iniciadas em gestões anteriores, mas executadas agora.
O racha entre Executivo e Legislativo desestruturou a base que sustentava o governo. Hoje, Silva e Luna conta com apenas seis aliados entre os 15 vereadores. O grupo dissidente reúne nomes de diversos partidos — incluindo o próprio PL e o PSD, legenda do vice-prefeito Ricardinho e do governador Ratinho Junior —, o que expõe o enfraquecimento político da administração.
Nos bastidores, a crise é atribuída à falta de diálogo entre o prefeito e os vereadores. O principal alvo das críticas é o coronel Jorge Ricardo Áureo, ex-secretário-executivo do Gabinete, que deixou o cargo em 21 de outubro. A exoneração, porém, não foi suficiente para conter o desgaste dentro do governo.
Desde o início do ano, quatro secretários e dezenas de assessores pediram exoneração ou foram substituídos. As mudanças atingiram áreas estratégicas como Comunicação, Meio Ambiente, Mulher e o próprio Gabinete do Prefeito, e reforçaram a imagem de instabilidade que hoje domina a administração municipal.
Fonte: Porta da Cidade